As estações ferroviárias do território de Bonfim

Procedente da cidade de Araguari, no Estado de Minas Gerais, a Estrada de Ferro Goiás, obedecendo ao entusiasmo da construção de seu primeiro trecho, chegou à ponte do rio Paranaíba, na divisa com o Estado de Goiás, no ano de 1911. A partir daí a demora foi paulatinamente sentida até a sua chegada a Goiânia, capital do Estado de Goiás, no ano de 1950. E alguns anos mais tarde a linha foi prolongada em dois quilômetros, até Campinas de Goiás. Aí parou.
Em terras goianas, o trecho inicial foi construído com maior rapidez, tendo em vista que três anos após a sua chegada ao rio Paranaíba, foi inaugurada a estação de Roncador, no município de Pires do Rio, em 15 de novembro de 1914. Daí por diante a lentidão acabou instaurada, tudo por conta da escassez de verba, conforme era informado na época.
A estação de Caraíba, inaugurada em 01 de novembro de 1923, foi a primeira construída em território bonfinense. As estações de Ponte Funda e de Vianópolis, esta com o nome de estação Tavares, foram inauguradas no mesmo dia, na data de 15 de setembro de 1924. Em 3 de maio de 1930 inaugurou-se a estação de Bonfim, com o nome de estação Caturama. Mais tarde a denominação foi alterada para Silvânia. No ano seguinte, em 13 de maio de 1931, inaugurou-se a estação de Leopoldo de Bulhões. E em 7 de setembro de 1950 foi a inauguração da estação de Bonfinópolis, fechando a seqüência das estações edificadas nas terras de Bonfim.
As estações bonfinenses têm hoje destinação diversa do fim proposto ao tempo de sua construção. A de Caraíba tem uso social; a de Ponte Funda encontra-se em ruínas; a de Vianópolis abriga o Banco do Povo e a Agrodefesa, órgãos do Governo do Estado em convênio com a Prefeitura local. As de Silvânia e de Bonfim servem de moradia a populares, e a de Bonfinópolis está abandonada.
Em entrevista à revista O Cruzeiro, datada de 27 de dezembro de 1930, contou Elizabeth Steen, antropologista da Universidade da Califórnia, Estados Unidos da América, que veio ao Brasil para passar cerca de um ano estudando in loco os indígenas de Goiás e de Mato Grosso. Disse ela que chegou ao país pelo Rio de Janeiro e de lá foi para São Paulo. Ali tomou o trem, certamente pela Mogiana, até a estação de Vianópolis, em Goiás. De lá, “em auto-caminhão, por estradas difíceis de percorrer, foi à capital do Estado”, à época, Goiás Velho, e depois “às margens do Araguaia, para descer o rio em batelão, e semanas depois estava na Ilha do Bananal, no Posto de Santa Isabel, em plena região dos índios carajás”.
Estação Caturama
Concluída a Estação Tavares, em 1924, os trabalhos de construção da estrada de ferro deveriam continuar avançando Goiás adentro. A próxima estação a ser inaugurada seria a de Bonfim. Mas, por questões financeiras, os serviços ficaram paralisados quase cinco anos, fato que beneficiou sobremaneira a povoação de Vianópolis, que permaneceu durante todo esse tempo na privilegiada condição de ponta de linha.
Se para Vianópolis a construção da estrada de ferro foi de fundamental importância, a ponto de ter sido esse fato indiscutivelmente o responsável pela sua origem e seu desenvolvimento até atingir a autonomia político-administrativa, enfim, por sua existência como cidade, para Bonfim nem tanto. Aliás, a notícia que se tem é que os governantes de Bonfim, à época, não permitiram que a estrada passasse pelas proximidades da urbe, sob a alegação de que poderia prejudicar o sossego dos pacíficos moradores frente à possibilidade da chegada de aventureiros aproveitadores, mal intencionados e criminosos. Isso fez com que o planejamento do curso da ferrovia sofresse consideráveis alterações.
O certo é que a estação Caturama acabou sendo construída em local distante alguns quilômetros da cidade de Bonfim, dificultando o acesso do usuário, tanto do interessado no transporte de passageiro quanto do de carga.
E no dia 3 de maio de 1930, presente grande massa popular e sob o calor do entusiasmo disseminado, música, fogos e discursos acalorados, foi inaugurada a estação Caturama, localizada no alto do espigão, a 5 (cinco) quilômetros da cidade de Bonfim.
Foram cinco longos anos de espera, intercalados de sucessivas paralisações – conseqüentes da falta de verba –, desde o término da estação Tavares. Enfim, o novo e moderno meio de transporte estava à disposição dos passageiros e dos produtores, para se locomoverem livremente e para transportarem os produtos geradores de riquezas.
Registre-se também que quando chegou o contingente para implantar a estação Tavares, Bonfim já existia como cidade altaneira e progressista há mais de século. Sua origem fora outra: a exploração do ouro; sua fonte alternativa de sobrevida, após o fechamento das minas, já estava assentada na pecuária, na agricultura e no comércio. E juntamente com o transporte ferroviário chegava o transporte rodoviário, com a inauguração da rodovia Roncador-Campo Formoso-Bonfim, inaugurada em 28 de fevereiro de 1920, como meios concorrentes para o escoamento dos produtos produzidos no município.
Estação Leopoldo de Bulhões
O Dr. Leopoldo de Bulhões era homem de grande prestígio na política nacional, tendo inclusive ocupado o cargo de Ministro da Fazenda. Graças à sua influência, o novo traçado que vinha retardar a chegada dos trilhos da ferrovia ao solo goiano foi mudado para que fosse construído o ramal de Araguari a Catalão, permitindo que a Estrada de Ferro chegasse até nossa região.
A expansão territorial da ferrovia na jurisdição bonfinense contabilizava os seguintes dados como grande feito: em 1924 foi inaugurada a estação Tavares, em Vianópolis. Em 1930 foi a vez da inauguração da estação Caturama, perto de Bonfim. E os trabalhos prosseguiam. Em março de 1931 já estava aberto o tráfego entre Bonfim e Pindaibinha. E em 13 de maio do mesmo ano a estação foi inaugurada, recebendo o nome de estação Leopoldo de Bulhões, em homenagem à memória do ilustre estadista goiano José Leopoldo de Bulhões Jardim, a quem o Estado deve a construção da Estrada de Ferro Goiás.
A estação foi inaugurada com festa, tendo o feito sido considerado como o maior acontecimento social da época. A partir de sua inauguração a estação ferroviária tornou-se o melhor e o mais freqüentado local de lazer da população. As famílias se dirigiam para lá nos horários de chegada e partida das composições ferroviárias. Era a hora de recepcionar os visitantes ou dar adeus àqueles que partiam. Entrementes, esse comportamento era observado em toda a população que se formava em função da ferrovia. Em Vianópolis, por exemplo, a correria desenfreada rumo à estação, nos horários do trem passageiro, traz lembranças inesquecíveis e constitui parte nobre do folclore da minha juventude.
Estação de Bonfinópolis
Se a estação Leopoldo de Bulhões foi construída em curto espaço de tempo (13.05.1931) desde a inauguração da estação Caturama (03.05.1930), apenas um ano depois, a de Bonfinópolis levou muito mais tempo. Foram 19 anos de expectativa, de pleitos infrutíferos e de negociações frustrantes junto ao Governo Federal. Finalmente, na data de 07 de setembro de 1950 a estação foi inaugurada.
Notícias da época
01-06-1920 – Foi concluída a rodovia Roncador-Anápolis. A Empresa Auto-viação Roncador a Anápolis, de que é concessionário o coronel Pio José da Silva, de Campo Formoso, tendo firmado contrato em 23 de novembro de 1919, com prazo de 2 anos, para a construção da referida estrada, e conseguindo acelerar convenientemente os serviços, inaugurou, em 28 de fevereiro de 1920, o trecho ligando a Estação de Roncador, da Estrada de Ferro Goyaz, às cidades de Campo Formoso e Bonfim, concluindo agora o restante da linha traçada (A Informação Goyana, junho-1920).
02-02-1927 – Foi inaugurado festivamente o serviço de luz elétrica nas cidades de Bonfim e Vianópolis. Por essa ocasião o Cel. Felismino Viana, proprietário da usina, a mais possante do Estado, recebeu telegrama de congraçamento enviado pelo Bispo D. Manoel Gomes de Oliveira (A I. Goyana, fevereiro-1927).
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Fontes:
ESTAÇÕES FERROVIÁRIAS DO BRASIL. Internet. Site: www.estacoesferroviarias.com.br/efgoiaz. Páginas elaboradas por Ralph Mennucci Giesbrecht.
OLIVEIRA, Elson Gonçalves. História de Vianópolis. Goiânia: Elege-Publicidade e Editora Ltda., 2000.
REVISTA A Informação Goyana. Rio de Janeiro: edições de junho-1920 e fevereiro-1927.







